Assédio sexual nas escolas: uma realidade assustadora

Assédio

  O assédio é uma realidade assustadora que infelizmente ainda persiste em nossa sociedade, afectando milhares de pessoas em escolas primárias, secundárias e nas instituições de ensino superior. É um comportamento abusivo, que fere a dignidade e os direitos humanos, deixando marcas profundas nas vítimas e perpetuando um ciclo de violência e impunidade por parte dos assediadores.

Em Moçambique, este facto, não só afecta os estudantes, mas também os funcionários públicos. A título de exemplo, entre 2020-2023, as autoridades moçambicanas que velam pela justiça no trabalho, registaram cerca de 4 mil casos de assédio sexual envolvendo estudantes e professores.

De acordo com os dados colhidos e publicados numa das edições do nosso Boletim Informativo, a prática do assédio tem acontecido por meio de gestos, propostas de troca de favores ou de toques indesejados que podem gerar impactos emocionais aos estudantes, acabando muita das vezes a desistir de estudar.

Tendo em conta o público-alvo em referência, este acto não se restringe apenas ao nível do género, idade, classe social ou profissão, mas também submete ao outrem à submissão, humilhação e intimidação, deixando muitas vezes as vítimas em condição de vulnerabilidade e medo.

São várias as pessoas que passam por isso, mas optam por permanecer em silêncio, por exemplo, na Escola Josina Machel, a maior parte das vítimas alega ter medo de prestar queixa à direcção da escola, pois ainda que denunciem o caso, não recebem o devido apoio e acabam sofrendo represálias por parte dos colegas.

Apesar do número elevado de casos registados, são poucas às instituições que fazem o acompanhamento das vítimas. A título de ilustração, a Universidade Pedagógica de Maputo, uma instituição de ensino superior sediado na capital moçambicana, introduziu recentemente uma linha de denúncia e apoio às vítimas de assédio sexual.

As declarações colhidas das vítimas que entrevistamos, demonstram que há uma necessidade das instituições criarem plataformas diversificadas de denúncias sobre o assédio, bem como promover palestras, entre outros eventos que permitam com que as vítimas sobretudo as raparigas, possam expor os seus problemas, uma vez serem as que mais passam por isso.

Por isso, somos da opinião de que se deve prestar maior atenção à vestimenta das estudantes nas escolas, porque nem sempre os professores são promotores desses actos, sendo estes seduzidos pela forma como estas se apresentam.

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